UERJ/2004
Português > Estilística > Figura de linguagem

SALA DE ESPERA (Ah, os rostos sentados numa sala de espera. Um Diário Oficial sobre a mesa. Uma jarra com flores. A xícara de café, que o contínuo vem, amável, servir aos que esperam a audiência marcada. Os retratos em cor, na parede, dos homens ilustres que exerceram, já em remotas épocas, o manso ofício de fazer esperar com esperança. E uma resposta, que será sempre a mesma: só amanhã. E os quase eternos amanhãs daqueles rostos sempre adiados e sentados numa sala de espera.) Mas eu prefiro é a rua. A rua em seu sentido usual de "lá fora". Em seu oceano que é ter bocas e pés para exigir e para caminhar. A rua onde todos se reúnem num só ninguém coletivo. Rua do homem como deve ser: transeunte, republicano, universal. Onde cada um de nós é um pouco mais dos outros do que de si mesmo. Rua da procissão, do comício, do desastre, do enterro. Rua da reivindicação social, onde mora o Acontecimento. A rua! uma aula de esperança ao ar livre. (RICARDO, Cassiano. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964.) A construção poética do discurso baseia-se freqüentemente na utilização de figuras de linguagem, como a metonímia. O poeta recorreu a esta figura em:
a) "Ah, os rostos sentados"
b) "Os retratos em cor, na parede,"
c) "que exerceram (...) o manso ofício"
d) "de fazer esperar com esperança."
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