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A origem latina
Latim clássico e latim vulgar
No latim distinguem-se duas variantes:
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Latim clássico ou culto: uniforme e regulamentado, era estudado nas escolas, falado e escrito pela minoria culta. |
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Latim vulgar: era a língua falada pelos comerciantes, colonos e soldados que mantinham a ordem no Império. Essa variante não respeitava, pelo desconhecimento de seus usuários, as normas gramaticais, mantinha os vícios das línguas orais e incorporava palavras das outras línguas com as quais entrava em contato. |
| Principais diferenças entre latim clássico e vulgar |
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O clássico tinha dez vogais (cinco breves e cinco longas).
O vulgar tinha só sete: a, e (abertas e fechadas), i, o (aberta e fechada) e u |
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O latim vulgar tinha a tendência de exprimir com várias palavras o que o latim clássico conseguia com uma só (tempos verbais, complementos, comparativos e superlativos) |
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No vulgar foi se perdendo o sistema de flexões que indicava as funções que as palavras tinham na oração (declinação) |
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O vulgar expressava a voz passiva do verbo por meio do verbo auxiliar e dos particípios. O clássico o fazia por uma desinência especial |
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A Península Ibérica antes da romanização
Pouco se sabe sobre a Península Ibérica antes da chegada dos romanos. Supõe-se que, primitivamente, ela tenha sido habitada por dois povos: o cântabro-pirenaico e o mediterrâneo, dos quais se teriam originado o povo basco e o ibérico.
Ao sul da península, estabeleceram-se os tartéssios, fundadores da cidade de Tarsis, aonde, segundo a Bíblia, Salomão ia buscar ouro, prata e marfim. Essas riquezas atraíram outros povos: os fenícios, que dominaram o sul, fundando as cidades de Cádiz, Málaga e outras, e os gregos, que, derrotados pelos fenícios no sul, foram para o leste, fundando a cidade de Alicante, entre outras. Os lígures provavelmente se estabeleceram no norte.
Por volta do século V a.C., chegaram os celtas, que se fixaram na Galícia e no centro de Portugal. No século III a.C., para defender seu poderio no Mediterrâneo ameaçado por Cartago, os romanos desembarcaram pela primeira vez na península. Em 25 a.C. toda a faixa ocidental da península já estava conquistada e os peninsulares, com exceção dos bascos, adotaram a língua e os costumes dos vencedores, ou seja, romanizaram-se.
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Processo de romanização |
Esse processo não aconteceu da mesma maneira nem ao mesmo tempo em todas as regiões da Península Ibérica. No norte, onde o processo de romanização foi menor, o latim evoluiu de uma maneira mais livre e revolucionária. Embora na península também tenham existido escolas em que estudaram imperadores, poetas e filósofos – como Trajano, Adriano, Sêneca, Marcial –, o latim que se impôs foi o vulgar. O latim vulgar foi se diferenciando do clássico. Portanto, as línguas românicas da península são fruto da evolução do latim vulgar em contato com elementos pré-românicos e outras influências de povos que chegaram mais tarde.
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Os mapas mostram a criação e a expansão do reino de Portugal, conquistando territórios dos reinos cristãos e muçulmanos da Espanha, que exerceram
grande influência na língua portuguesa. |
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| Teatro romano em Mérida, na Península Ibérica: incorporação de vocábulos nas ruas e nas artes. |
A influência de outros povos
Depois da queda do Império Romano, muitos povos bárbaros chegaram à península. Os suevos, vândalos e visigodos, que chegaram entre 568 e 586, fizeram da cidade de Toledo a sua capital. Apesar de deterem o poder, adotaram a língua falada pelos derrotados, um latim vulgar muito evoluído. Em troca deixaram palavras de sua língua original usadas até hoje.
Os povos germânicos deixaram um léxico numeroso (germanismos) relacionado com a guerra e os costumes:
| guerra, elmo, roca, arauto, trégua |
Eles deixaram também topônimos e antropônimos:
| Afonso, Elvira, Raimundo, Rodrigo, Resende |
No ano 711, os árabes invadiram a península. Derrotaram os visigodos e praticamente dominaram todo o território em sete anos. As tropas cristãs reagruparam-se no norte da península e iniciaram a Reconquista, que culminou em 1492 com a tomada de Granada pelos Reis Católicos. Durante esses sete séculos aconteceram as grandes evoluções lingüísticas do latim na península e apareceram os dialetos romances: o galaico-português, o astur-leonês, o castelhano, o navarro-aragonês e o catalão, além do moçárabe, língua falada pelos cristãos habitantes da Espanha árabe.
O árabe teve importante influência no português, contribuindo principalmente com palavras que designam plantas, utensílios, alimentos, além de verbos e topônimos:
| algodão, alface, alaúde, tambor, azeitona, álcool, xarope, alcatifar, alcovitar, Alcântara, Gibraltar |
Enriquecimento da língua portuguesa
Nos séculos XII e XIII, com a chegada da arte provençal, cultivada até pelo próprio rei D. Dinis, muitas palavras de origem provençal incorporaram-se ao léxico português:
| alegre, jogral, rouxinol, trovar |
Com a expansão ultramarina, a língua portuguesa entrou em contato direto com outras línguas que acrescentaram ao idioma inúmeras palavras da África, Ásia e América. Alguns exemplos:
cáfila (do árabe falado no norte da África)
nanquim (do chinês)
gueixa, samurai (do japonês)
gengibre, sândalo (do sânscrito)
berinjela, caravana, laranja, turbante (do persa)
capim, cipó, abacaxi (do tupi) |
Durante o período em que Portugal foi governado pela Espanha (1580 a 1640), o castelhano também influenciou a língua portuguesa, com palavras como:
| bobo, galhofa, lagartixa, pirueta, realejo |
A partir do século XVI, quando surgem as primeiras gramáticas, a língua portuguesa, então mais definida, sofreu influências menores. Mesmo assim, ao longo dos anos foi incorporando vocábulos de diversos idiomas:
tricô, abajur (do francês)
cantina, macarrão, salame (do italiano)
vodca, estepe (do russo)
lanche, pudim, sanduíche (do inglês) |
A partir do século XIX, o português recebe termos que designam avanços tecnológicos:
telefone, televisão, submarino, cosmonauta (greco-latina)
futebol, revólver, iate, computador (inglês)
show, best seller, short, software, hardware
(do inglês, ainda sem grafia em português) |
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