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As diferentes funções
Função referencial ou denotativa
A função referencial ou denotativa transmite uma informação objetiva sobre a realidade. Dá prioridade aos dados concretos, fatos e circunstâncias, suprimindo tanto as valorações como os sentimentos de quem fala (o emissor). É a função característica do discurso científico e de qualquer exposição de conceitos. Ela põe em evidência o referente, ou seja, o assunto ao qual a mensagem se refere.
Função expressiva ou emotiva
Reflete o estado de ânimo do emissor, os seus sentimentos e emoções. Exprime-se a partir da perspectiva do emissor, sempre resultando em textos subjetivos, escritos em primeira pessoa. Um dos indicadores da função emotiva num texto é a presença de interjeições e de alguns sinais de pontuação, como as reticências e o ponto de exclamação.
Função apelativa ou conativa
Seu objetivo é influenciar o receptor ou destinatário, com a intenção de convencê-lo de algo ou dar-lhe ordens. São próprios dessa função os recursos que podem motivar o ouvinte a praticar uma ação, dar uma resposta ou reagir afetivamente:
Vem cá!
É proibido fumar!
Meu filho está doente, me ajude! |
Está permeada de recursos apelativos sutis ou não, tais como: o uso do imperativo – Procure! –; do vocativo – Maria, vem cá –; da interrogação – Você já tomou banho? – e de recursos literários freqüentes na linguagem da propaganda.
Função poética ou estética
É aquela que põe em evidência a forma da mensagem, ou seja, que se preocupa mais em como dizer do que com o que dizer. O escritor, por exemplo, procura fugir das formas habituais de expressão, buscando deixar mais bonito o seu texto, surpreender, fugir da lógica ou provocar um efeito humorístico. Embora seja própria da obra literária, a função poética não é exclusiva da poesia nem da literatura em geral, pois se encontra com freqüência nas expressões cotidianas de valor metafórico (O tempo voa) e na publicidade:
| Em tempos de turbulência, voe com fundos de renda fixa. |
As gírias dos adolescentes também têm sua raiz na função poética: 'Queimei meu filme' com o professor de Geografia.
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| O cachorro late para estabelecer uma comunicação: função fática. |
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Função fática
A função fática tem por finalidades estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação. É aplicada em situações em que o mais importante não é o que se fala, nem como se fala, mas sim o contato entre o emissor e o receptor. Aparece geralmente nas fórmulas de cumprimento: Como vai, tudo certo? ou em expressões que confirmam que alguém está ouvindo ou está sendo ouvido: sim, claro, sem dúvida, entende?, você percebe? não é mesmo?. Seus objetivos principais são proteger e reforçar o canal de comunicação.
Metalingüística
A função metalingüística é aquela que possibilita a um código – língua, sinais de trânsito, linguagem braile – referir-se a si mesmo. É a palavra comentando a palavra, o cinema falando do cinema, a pintura expressando a pintura. Com a finalidade de garantir que o falante e o ouvinte utilizem o mesmo código, a metalinguagem é usada em qualquer aprendizado de uma língua, nas gramáticas e nos dicionários. Exemplo:
| Frase é qualquer enunciado lingüístico com sentido acabado. |
Para dar a definição de frase, usamos uma frase.
Funções da linguagem e sua adequação aos textos
| Funções da linguagem |
Elemento
que fica
em
evidência |
Finalidade
ou conteúdo |
Expressão
lingüística |
Textos |
| Referencial |
Referente |
Mensagem
objetiva:
fatos, idéias
e ações |
Linguagem
referencial;
Significação
unívoca, não-
polissêmica |
Documentos
e relatórios;
Linguagens científica e
jornalística |
| Expressiva |
Emissor |
Mensagem
subjetiva:
sentimentos
e emoções
de quem fala |
Linguagem
conotativa;
Interjeições,
adjetivos
valorativos;
Entonação
expressiva |
Cartas
pessoais;
Diários; Linguagens
familiar e
literária |
| Apelativa |
Receptor |
Mensagem
que influencia
o ouvinte com
o objetivo de
provocar uma
resposta |
Imperativos;
Vocativos;
formas
afetivas |
Linguagem
publicitária;
Linguagens
de propaganda
política e
religiosa |
| Poética |
Forma
de mensagem |
Mensagem
que atrai a
atenção pela
forma de
expressão,
pela estética |
Linguagem
conotativa e
plurissignificativa;
Recursos
literários |
Linguagens
literária,
coloquial e
familiar;
Linguagem
publicitária |
| Fática |
Canal |
Informação
mínima.
Sua intenção
é estabelecer ou manter a
comunicação |
Frases feitas;
Palavras e
expressões de
apoio;
Redundâncias |
Linguagem
coloquial |
| Metaliguística |
Código |
Informação
para
esclarecer ou
explicar a
linguagem |
Linguagem
referencial |
Tratados
lingüísticos |
Análise do texto
Em um mesmo texto, podem predominar várias funções da linguagem alternadamente. É o que se observa no trecho da crônica 'Receita para Mal de Amor', do jornalista e escritor Rubem Braga (publicada em A Traição dos Elegantes, Ed. Record, Rio de Janeiro, 1985):
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'Minha querida amiga:
Sim, é para você mesma que estou escrevendo –
você que naquela noite disse que estava com vontade
de me pedir conselhos, mas tinha vergonha e achava
que não valia a pena, e acabou me formulando uma
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pergunta ingênua:
– Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa?
E logo depois me pediu que não pensasse nisso e
esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha
bebido um ou dois uísques a mais... |
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Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder
assim pelas páginas de uma revista – fazendo de
conta que me dirijo a um destinatário suposto.
Destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia
querer dizer apenas aquele ou aquela a quem se |
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destina uma carta, devia querer dizer também a
pessoa que é dona do destino da gente. Joana é
minha destinatária.
Meu destino está em suas mãos; a ela se destinam
meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e |
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o que sou: todo esse complexo mais ou menos
melancólico e todavia tão veemente de coisas que eu
nasci e me tornei.
Se me derem para encher uma fórmula impressa ou
uma ficha de hotel eu poderei escrever assim: |
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Procedência – Cachoeiro de Itapemirim; Destino –
Joana. Pois é somente para ela que eu marcho. No
táxi, no bonde, no avião, na rua, não interessa a
direção em que me movo, meu destino é Joana. Que
importa saber que jamais chegarei ao meu destino?[...]' |
No texto acima podemos identificar várias funções da linguagem:
Função fática: 'Sim, é para você mesma que estou escrevendo [...]', pois o narrador quer se certificar de que o canal está sendo mantido.
Função metalingüística: na passagem 'Destinatário, destinatária... Bonita palavra [...]', em que o narrador se detém sobre uma palavra, refletindo sobre seu significado.
Função emotiva ou expressiva: Nos dois últimos parágrafos o narrador expressa seus sentimentos.
Função poética: permeia todo o texto, pois é evidente a preocupação estética de Rubem Braga ao escrever sua crônica.
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