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Como apreender o movimento das formas?
O homem criou o número para dominar o movimento das quantidades da natureza. Assim como as quantidades, as formas que encontramos ao nosso redor estão em permanente mudança. Olhamos para o céu e nos admiramos com as formas circulares dos astros; no tronco das árvores percebemos os cilindros e, nas suas folhas, os desenhos de várias figuras diferentes. Para descrever o belo movimento das formas que o cercam e planejar suas plantações, calculando a área a ser cultivada, por exemplo, o homem criou a Geometria – que em grego significa medição da terra. Foi no Egito Antigo, porém, que a 'técnica para medir terrenos' ganhou impulso. Todos os anos, as cheias do rio Nilo inundavam as terras em volta, depositando o húmus que fertilizava as plantações. Mas, às vezes, o rio apagava os limites dos terrenos e era preciso medi-los para reconstruir suas formas e dimensões originais. Ampliando a experiência egípcia, os gregos criaram o primeiro modelo de Geometria da História. Atualmente, a Geometria Plana representa uma parte importante da Geometria Elementar.
1. Ponto e reta
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| Figura 1 |
Chegamos às idéias de ponto e reta de forma intuitiva.
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Os sinais da Figura 1, cada vez menores, nos conduzem à idéia de ponto. Um ponto não tem dimensão. Um pequeno sinal no papel é suficiente para sugerir a idéia de ponto. |
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| Figura 2 |
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Se desenharmos faixas cada vez mais estreitas (Figura 2), até chegar a uma faixa sem largura, estamos sugerindo a idéia intuitiva de reta. |
Também podemos imaginar retas em nosso dia-a-dia, como mostra a Figura 3, ao lado.
Para lembrar:
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| Figura 3 |
| Podemos expressar a idéia de reta como um conjunto infinito de pontos (Figura 4). |
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| Figura 4 |
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Quando limitamos uma reta, estamos diante de uma semi-reta ou de um segmento de reta. |
2. Semi-reta e segmento
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| Figura 5 |
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Quando marcamos um ponto numa reta (Figura 5), essa reta fica dividida em duas partes que chamamos de semi-retas. A semi-reta vermelha é oposta à semi-reta azul porque elas têm a mesma origem no ponto O. |
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| Figura 6 |
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Segmento
Quando marcamos dois pontos numa reta, o traço compreendido entre esses dois pontos recebe o nome de segmento (Figura 6).
Ao situar os pontos A e B, obtemos o segmento .
Propriedades fundamentais das retas
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| Figura 7 |
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Por um ponto passam infinitas retas (Figura 7, acima). |
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| Figura 8 |
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Por dois pontos passa apenas uma reta (Figura 8). |
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3. Plano
É uma superfície plana que se estende infinitamente em todas as direções. É como uma lâmina tão fina que não tem espessura (Figura 9). |
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| Figura 9 |
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Como mostra a Figura 10, o plano é normalmente representado por um retângulo.
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| Figura 10 |
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Para lembrar:
| Um plano tem infinitos pontos e, por extensão, infinitas retas (Figura 11). |
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| Figura 11 |
Propriedades fundamentais do plano
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| Figura 12 |
Se uma reta tem dois pontos num plano (A e B), ela está totalmente situada nesse plano (Figura 12).
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Se traçarmos uma reta num plano, este fica dividido em duas partes chamadas semiplanos (Figura 13). |
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| Figura 13 |
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Se traçarmos uma reta num plano, este fica dividido em duas partes chamadas semiplanos (Figura 13). |
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Por um ou dois pontos passam infinitos planos. |
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Por três pontos não-alinhados passa apenas um plano (Figura 14). |
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| Figura 14 |
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| Figura 15 |
Se pregarmos um quadro na parede por um ou dois pontos, podemos movê-lo. Se acrescentarmos um terceiro prego não- alinhado com os outros dois, o quadro ficará absolutamente fixo (Figura 15).
Se pressionarmos um pedaço de papelão com um ou dois dedos, o papelão terá um ligeiro movimento que cessará se apertarmos com um terceiro dedo não alinhado com os outros dois. Da mesma maneira, uma porta fixa por duas dobradiças e pelo ferrolho não pode ser aberta.
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| Figura 16 |
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Por uma reta e um ponto exterior à essa reta passa apenas um plano (Figura 16). |
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Duas retas que se cortam determinam um único plano
(Figura 17). |
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Figura 17 |
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| Figura 18 |
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Duas retas paralelas também determinam um único plano (Figura 18). |
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| Figura 19 |
4. Posições relativas de dois planos
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Dois planos que se cortam determinam uma reta. Esses planos são chamados concorrentes (Figura 19). |
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Dois planos que têm um ponto em comum têm também uma reta em comum (Figura 20). |
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| Figura 20 |
Observe o desenho da Figura 20, ao lado.
Aparentemente, há apenas um ponto em comum entre os dois planos, mas, como já foi dito antes, o plano é infinito em todas as direções. Por isso, seu prolongamento nos dá um novo ponto que, juntamente com o anterior, determina uma reta.
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| Figura 21 |
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Dois planos são paralelos quando são coincidentes ou quando não têm nenhum ponto em comum (Figura 21). |
5. Posições distintas de duas retas
Se duas retas estão no mesmo plano, elas podem ser concorrentes ou paralelas.
São as retas que, ao se cortarem, têm um ponto em comum (Figura 22).
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| Figura 22 |
Duas retas são paralelas quando mantêm a mesma distância ou se superpõem (Figura 23).
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| Figura 23 |
Quando as retas não estão no mesmo plano, elas são reversas (Figura 24).
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| Figura 24 |
São as retas que se cortam formando um ângulo de 90° (Figura 25).
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| Figura 25 |
6. Medida de segmentos
Igualdade e desigualdade de segmentos
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| Figura 26 |
Dois segmentos são iguais quando, ao serem superpostos, eles coincidem. Se os segmentos não coincidirem, são desiguais. Desenhamos, agora, o segmento (Figura 26) e o deslocamos sobre os segmentos , e :
Comprovamos que:
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| Figura 27 |
Para verificar se dois segmentos são iguais ou desiguais, utilizamos, normalmente, o compasso, como na Figura 27.
Comprovamos que < e = .Com o compasso podemos construir um segmento igual a outro (Figura 28).
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| Figura 28 |
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| Figura 29 |
Medida do comprimento de um segmento
Para medir o comprimento de um segmento, precisamos do comprimento de outro segmento, que tomamos como unidade (Figura 29).
O segmento u é o segmento unidade.
O segmento contém 5 vezes o segmento unidade.
A medida do segmento é igual a 5u.
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| Figura 30 |
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7. Distância entre dois pontos
Chamamos de distância entre os pontos M e P de um segmento ao comprimento do segmento (Figura 30, ao lado).
8. Unidades de comprimento
Quase todos os países do mundo aceitam a utilização do metro como unidade de comprimento.
Definição clássica de metro
É a distância entre dois traços de uma barra metálica de platina-irídio, a 0° C de temperatura. Esta barra padrão é conservada no Escritório Internacional de Pesos e Medidas, em Paris.
1 decâmetro (dam) = 10 m
1 hectômetro (hm) = 10 dam = 100 m
1 quilômetro (km) = 10 hm = 100 dam = 1000 m |
1 decímetro (dm) = 0,1 m
1 centímetro (cm) = 0,01 m
1 milímetro (mm) = 0,001 m |
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| Figura 31 |
Na Figura 31, mostramos uma tabela de equivalências de múltiplos e submúltiplos do metro, com as respectivas conversões. De todas essas unidades, as mais utilizadas são o km, o cm e o mm. As demais unidades são pouco empregadas nas expressões de medidas ordinárias.
9. Operações com segmentos de reta
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| Figura 32 |
Para somá-los, deslocamos os segmentos dados sobre uma reta, com a condição de que sejam segmentos consecutivos. Isto é, a extremidade de um segmento coincide com a do seguinte, sem superposição
(Figura 32).
O segmento soma é a soma de todos os segmentos:
Subtração de segmentos
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| Figura 33 |
Observe os segmentos da Figura 33, na qual > . Para subtrair de , deslocamos o segmento sobre uma reta e depois o segmento , como indica o gráfico acima:
O segmento diferença é , isto é:
Multiplicação de um segmento por um número natural
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| Figura 34 |
O produto do comprimento de um segmento por um número natural n é igual à soma dos comprimentos de n segmentos iguais a (Figura 34).
Temos o segmento e queremos, por exemplo, multiplicá-lo por seis. Para tanto, deslocamos o segmento seis vezes sobre uma reta. Assim:
= x 6 |
Divisão de um segmento em n partes iguais
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| Figura 35 |
Para dividir um segmento em n partes iguais utilizaremos o Teorema de Tales (Os segmentos produzidos por retas paralelas em duas retas concorrentes são proporcionais). Dado um segmento qualquer , vamos dividi-lo em sete partes iguais (Figura 35):
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Traçamos uma semi-reta auxiliar em qualquer das extremidades do segmento. |
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Sobre esta linha, fazemos sete divisões iguais, com qualquer comprimento. |
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Unimos as extremidades livres. |
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Traçamos retas paralelas à primeira linha e que passem pelas divisões que fizemos. |
10. Traçado de segmentos
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Distância de um ponto a uma reta |
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| Figura 36 |
De um ponto a uma reta, podemos traçar muitos segmentos. Deles todos, o menor é o que recebe o nome de distância de um ponto a uma reta (Figura 36).
Somente a reta forma ângulos iguais a r, como mostra a Figura 36, acima. A distância de um ponto (P) a uma reta (r) é o segmento perpendicular ( ) entre P e a reta (Figura 37).
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| Figura 37 |
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Mediatriz de um segmento |
Chamamos de mediatriz (m) de um segmento à reta perpendicular que corta o segmento em seu ponto médio formando um ângulo reto (Figura 38).Os pontos que pertencem à mediatriz de um segmento são eqüidistantes das extremidades do segmento.
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| Figura 38 |
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Construção da mediatriz de um segmento |
Dado o segmento (Figura 39): fazendo centro em A e em B, com um raio maior que a metade de , marcamos os pontos E e F. Unindo E e F, obtemos a mediatriz (m).
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| Figura 39 |
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Construção de retas perpendiculares com a régua e o compasso |
Para construir uma perpendicular à reta s, marcamos dois pontos A e B quaisquer. A partir daí, repetimos os procedimentos feitos com a mediatriz (Figura 40).
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| Figura 40 |
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Construção de uma reta perpendicular por um ponto dado a uma reta |
Dado o ponto P e a reta r (Figura 41): fazendo centro em P, traçamos um arco que corte a reta r nos pontos A e B. Fazendo centro em A e em B, e com raio maior que a metade do segmento , marcamosF. marcamos F. A linha que passa por P e por F é a perpendicular a r que passa pelo ponto P.
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| Figura 41 |
EXERCÍCIOS
| 1. |
Dividir um segmento de 10 cm em seis partes iguais. |
| 2. |
Levantar uma reta perpendicular num ponto médio de um segmento de 40 mm. |
| 3. |
Levantar uma linha perpendicular na extremidade de um segmento de 0,6 dm. |
| 4. |
Desenhar um segmento a de 2 cm, outro b de 3 cm e outro c de 4 cm. Construir, em seguida, os seguintes segmentos:
a) 2a
b) 3c – 2b
c) a + b + c
d) 2a – 2b + c |
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