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Como ir além da simples enumeração?
O homem começou a contar e criou um sistema quando precisou controlar a quantidade de coisas que produzia. Usando pedrinhas, nós em corda e, mais tarde, os números naturais, ele contava as coisas uma a uma. O progresso exigiu um novo tipo de contagem, que superou a simples enumeração de objetos. É a contagem de grupos de objetos. Com a análise combinatória, os problemas de contagem se configuram como um ramo independente na Matemática. 1. Arranjos simples
Observe que, para ocupar o lugar da primeira vogal, temos 5 possibilidades; por isso escrevemos 5 linhas na horizontal. A segunda vogal pode ser escolhida entre as 4 restantes; portanto, separamos quatro grupos em colunas verticais. Por fim, para a terceira vogal, podemos escolher qualquer uma das três restantes. Indicando o número dos arranjos das 5 vogais tomadas 3 a 3 por A 5,3 no total, teremos:
Este conjunto de arranjos poderia ser representado também por meio de um diagrama de árvore (Figura 1, acima, à direita).
Seis atletas concorrem aos prêmios de 1º, 2º e 3º lugares. De quantas formas pode-se compor o pódio?
Entendemos por arranjo os modos que podemos posicionar os objetos em grupo. Uma alteração na ordem determinará um novo agrupamento. A fórmula que indica o número possível de arranjos é:
Por volta de 1800, o alemão Chretien Kramp criou uma notação que simplificou essa fórmula. Para Kramp, dado um número natural m (m E 2), o produto dos m, primeiros números naturais não-nulos, seria indicado por m!. Assim:
Então:
Definiu-se ainda que 1! = 1 e 0! = 1. Introduzindo o símbolo fatorial na fórmula dos arranjos, teremos:
2. Arranjos com repetição
Geralmente o número de arranjos com repetição de m elementos de um conjunto tomados n a n é dado pela fórmula:
3. Permutações simples
Seis alunos da primeira fila decidem sentar-se em cada dia de uma maneira distinta. Quantos dias serão precisos para repetirem uma determinada disposição? Para a primeira disposição teremos 6 possibilidades; para a segunda, 5; para a terceira, 4; para a quarta, 3; para a quinta, 2; e para a sexta, 1. Indicando a permutação dos 6 alunos por P 6, no total teremos:
Usando a notação fatorial, concluímos que a permutação dos 6 alunos é igual a 6! Um curioso problema é o anagrama permutações feitas com as letras de uma palavra. Os anagramas de BOI são: BOI, BIO, OBI, OIB, IBO, IOB. Assim, com as letras da palavra BOI é possível escrever 6 anagramas, isto é:
Em geral, o número de permutações de n elementos de um conjunto A equivale ao arranjo de n elementos desse conjunto tomados n a n, o que nos é dado pela fórmula:
4. Permutações com repetição
Suponhamos agora que, dos n elementos a ordenar, há p repetidos ou iguais entre si. Haveria então algumas ordenações repetidas. Temos uma urna com 10 bolas das quais 5 são brancas, 2 são pretas e 3 são vermelhas. De quantas maneiras podemos retirá-las da urna? Obtemos a solução calculando as permutações com repetição de 10 elementos, um repetido 5 vezes, outro 2 e outro 3. A fórmula será:
Em geral, as permutações com repetição de m elementos entre os quais estejam repetidos um a vezes, outro b vezes, outro c vezes, ..., e outro k vezes, de maneira que a + b + c + ... + k = m, serão calculadas com a seguinte fórmula: 5. Combinações Suponhamos que quatro pessoas se reúnam {a, b, c, d} e resolvam formar uma comissão de 3 membros sem distinção de cargos. O problema é o de determinar quantos subconjuntos de 3 elementos é possível formar. Vamos escrevê-los: {a,b,c}, {a,b,d}, {a,c,d}, {b,c,d}. No total temos 4 combinações. Observe que as combinações se diferenciam pelas qualidades dos elementos e não por sua ordem. O número de combinações de um conjunto de m elementos tomados n a n, em que n
Para encontrarmos o número de combinações de 4 elementos {a,b,c,d,}, tomados 3 a 3, fazemos o seguinte: Para cada combinação de 3 elementos deste conjunto podemos formar 3! arranjos: {a,b,c}: (a,b,c), (a,c,b), (b,a,c), (b,c,a), (c,a,b), (c,b,a) Como C 4,3 é o número de combinações com 3 elementos temos que C 4,3 X 3! = A 4,3, então concluímos: Assim, usando o símbolo fatorial teremos:
Calcular o número de diagonais de um heptágono (Figura 2). Observamos que cada dois vértices determinam um segmento diagonal ou lado. Calculamos portanto as combinações de 7 elementos tomados 2 a 2 e subtraímos o número de lados. Assim:
6. Propriedades dos números binomiais
Indica o número de subconjuntos de 0 elementos num conjunto de m elementos; somente o conjunto vazio atende a esta condição. Exemplo: C 5,0 = C 5,5 = 1.
Da mesma maneira, indica o número de subconjuntos de m elementos e somente o conjunto total atende a esta condição.
Num conjunto de 5 elementos, tomamos 2 para obter um subconjunto, formando, indiretamente, um outro subconjunto de 5 - 2 = 3 elementos. Observe:
Os números combinatórios podem ser dispostos da forma mostrada na Figura 3, abaixo.
Segundo as propriedades enunciadas, as duas diagonais exteriores são formadas por números 1, e cada número do interior é igual à soma dos dois que figuram acima dele (terceira propriedade). Essa disposição é conhecida como Triângulo de Tartaglia ou de Pascal (Figura 4, abaixo) em homenagem aos matemáticos que a utilizaram, embora já fosse conhecida anteriormente (triângulo aritmético chinês, do ano de 1303).
7. Fórmula geral do Binômio de Newton
Repare que os coeficientes dos termos do binômio são exatamente os números dispostos em cada linha do triângulo. Isaac Newton (1623 a 1727) generalizou o desenvolvimento do binômio para todas as potências com a seguinte fórmula:
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