|
||||||
|
Como representar um instante de um movimento? Vamos admitir que o movimento de um astro fosse congelado num determinado instante de sua curva, ou de sua órbita. Perguntando-se sobre o que acontece neste exato instante, infinitamente pequeno, alguns matemáticos produziram uma idéia: o cálculo infinitesimal, também chamado diferencial. O segredo deste cálculo está na combinação entre a tangente do instante único (a reta que toca o movimento congelado) e a curva que comporia os instantes seguintes. O traçado da tangente num ponto da curva passou a ser um dos problemas fundamentais para os matemáticos que, no século XVII, estudavam os movimentos dos astros em função da navegação em alto-mar. A questão do traçado da tangente recebeu o nome de derivada. 1. Derivada de uma função em um ponto: inclinação da reta tangente
Sabemos que qualquer reta fica perfeitamente determinada se conhecemos um de seus pontos e a sua inclinação (ou declividade).
Vejamos como obter a inclinação (ou declividade) Podemos observar que na curva está assinalado também um ponto Q, próximo do ponto P. Se a abscissa do ponto Q é xo + h, podemos concluir que as coordenadas do ponto Q são (xo + h, f (xo + h)). Surge assim a reta secante Na demonstração acima, temos que a tangente de Se deslocarmos, de forma imaginária, o ponto Q sobre a curva, aproximando-o cada vez mais do ponto P, este deslocamento de Q faz com que as retas secantes se aproximem da reta tangente T. Com este deslocamento, o ângulo Com o mesmo deslocamento o valor de h tende a zero e, portanto, a partir de agora, vamos escrevê-lo da seguinte forma: Agora podemos definir o conceito de derivada e lhe atribuirmos um símbolo. Chamaremos de derivada da função f em x0, a indicaremos f' (x0). Assim:
Assim, a derivada de uma função em um ponto x0 representa a inclinação da reta tangente à curva neste ponto. Então:
Vejamos como o conceito de derivada é aplicado na resolução de problemas.
Dada a função f (x) = x2 / 4, pede-se a inclinação da reta tangente à referida função em x = 2. Façamos a representação gráfica da função e da reta tangente (Figura 2, abaixo). Concluímos:
Conforme a definição de derivada, expressa em termos geométricos, a inclinação da reta tangente à função num ponto é a derivada da função nesse ponto. Portanto:
Assim, considerando a definição e a representação gráfica de derivada desenvolvidas anteriormente, podemos calcular diretamente o limite (uma vez que a derivada de uma função f (x) para um valor qualquer de x é um limite).
Uma vez aplicada a definição de derivada, chegamos ao resultado de que tg
Se o resultado for uma derivada positiva, teremos tg Inversamente, se a derivada for negativa teremos:
Isto implica que o ângulo
2. Equação da reta tangente a uma curva
Que também pode ser representada assim:
No caso das retas tangentes a uma curva num ponto P, conhecemos também as coordenadas,
Que também pode ser representada assim:
3. Função derivada
Para a função f (x) = x2, podemos calcular, para um ponto qualquer de valor x, a derivada; substituindo a função f (x) por seu valor x2.
O resultado obtido, f' (x) = 2x, pode ser representado também como y' = 2x.
Chamamos de função derivada à nova função que faz a correspondência entre cada valor de x e de sua derivada neste ponto e a simbolizamos com:
4. Crescimento, decrescimento e pontos de tangência horizontal
Geralmente, para a função y = f (x), se em cada ponto de um determinado intervalo a derivada for positiva, ou seja, f' (x) > 0, as retas tangentes correspondentes aos pontos desse intervalo formarão ângulos agudos com o sentido positivo do eixo x, das abscissas. Por isso, podemos dizer que a função f(x) será crescente no intervalo em questão, que expressamos com o seguinte teorema:
Em um caso contrário, se em um intervalo a derivada for negativa, isto é, f' (x) < 0, as retas tangentes correspondentes aos pontos do intervalo formarão ângulos obtusos com o sentido positivo do eixo x.
Existe uma terceira possibilidade inteiramente distinta das duas anteriores. Se num ponto x0 a derivada for nula, isto é, se f' (x) = 0, a reta tangente à função neste ponto será horizontal.
Nas Figuras 5, 6, 7, 8 e 9, vemos a representação de diferentes funções em que assinalamos as retas tangentes à função em diversos pontos. Devemos observar os ângulos que cada reta forma com o eixo x, no sentido positivo, e o comportamento crescente ou decrescente da função nesse ponto.
Nos casos em que a reta tangente é horizontal, falamos de ponto singular. 5. Funções não-deriváveis
Assim, podemos intuir a partir desses exemplos que, para uma função ser derivável, sua representação gráfica deverá ser suave, contínua e sem bicos (inflexões angulosas). Além disso, podemos formular a seguinte proposição:
Como uma função só é derivável num ponto, se for contínua neste ponto, conclui-se que se uma função é derivável num ponto, é também, necessariamente, contínua nele. 6. Cálculo de derivadas
As derivadas dão uma idéia das variações de uma função. Numa função constante, essas variações não existem. Por isso, pode-se afirmar que a derivada é nula. Assim:
Se temos uma função que é a soma de duas ou mais funções, a derivada dessa função será igual à soma das derivadas de cada uma das funções. Se f (x) = t (x) + s (x), verifica-se que:
Derivada da função f (x) =
Em Matemática, costuma-se chamar de funções elementares as funções polinomiais, a função raiz quadrada, as funções trigonométricas e as funções logarítmica e exponencial.
Para calcular a derivada de um produto de duas funções, devemos aplicar a seguinte regra:
Para calcular a derivada de um quociente de funções, também contamos com uma regra simples:
|
| Estamos adequando nosso conteúdo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa |
Klicknet ©Copyright 2000-2006 Klicknet S.A. Todos os direitos reservados