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Vizinho misterioso
 
Visível a olho nu durante a maior parte do ano, Marte é observado pelo homem desde os tempos mais remotos. As primeiras indagações sobre a existência de vida nesse nosso tão misterioso vizinho só começaram, no entanto, em meados do século XIX.



A superfície marciana fotografada pela sonda Mars Global Surveyor.
 

A lua Fobos orbitando Marte.
 
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Apesar do ceticismo dos astrônomos do início do século XX, a idéia de que Marte possuía vida inteligente se espalhou rapidamente. Edgar Rice Burroughs – mais conhecido como o criador de Tarzã – descrevia o planeta como uma região onde a água fluía irresistivelmente. H.G. Wells definia os marcianos em A Guerra dos Mundos como uma raça de "superdotados, alheios e nada simpáticos". A crença em vida marciana inteligente era tanta que, em 1938, Orson Welles causou pânico nos Estados Unidos quando transmitiu pelo rádio um programa baseado no livro de H.G. Wells, que descrevia um ataque extraterrestre. Grande parte dos ouvintes acreditou tratar-se de um ataque real de marcianos malvados.

Deus da guerra e da morte
A cor avermelhada e a trajetória aparentemente "errante" foram as primeiras coisas que chamaram a atenção dos antigos astrônomos para Marte. Os babilônios chamaram-no Nergal, o deus da morte. Entre os gregos, era conhecido como Ares, deus da guerra – a quem os romanos chamavam Marte. Astrônomos egípcios deram-lhe o nome de Her Descher, que significa O Vermelho. Em 1609, Johannes Kepler já descrevia a órbita elíptica de nosso misterioso vizinho. Pouco mais de meio século mais tarde, Jean Dominique Cassini determinou o período de rotação do planeta e observou a existência de calotas polares.

Os canais de Marte
A polêmica sobre a existência de vida em Marte, no entanto, viria apenas no século XIX, quando Giovanni Schiaparelli produziu alguns mapas do solo marciano com a ajuda de um telescópio refrator. Seus mapas mostravam a existência de estruturas lineares, interpretadas como canais. Baseado nesses estudos, o inglês Percival Lowell supôs a existência de valas de irrigação que levariam água dos pólos marcianos a uma civilização concentrada na região equatorial do planeta. A hipótese causou controvérsias e foi desmentida pouco depois, quando cientistas afirmaram que os canais não passavam de ilusão de ótica. Em 1907, Alfred Russel Wallace descreveu Marte como um local inóspito, semelhante à Lua.


Primeiras missões
Mesmo com a polêmica aparentemente encerrada, Marte continuou a despertar interesse na comunidade científica. Em 1965, o mundo viu o primeiro retrato marciano da era espacial, gerado pela sonda Mariner 4, e confirmou suas expectativas: o planeta parecia inóspito. A Mariner 9, no entanto, jogou nova lenha à fogueira: em imagens pouco nítidas, os cientistas podiam perceber uma superfície em constante mutação pela ação de fortes ventanias e – surpresa! – indícios da existência de água corrente. E há um fato aceito por unanimidade: água em estado líquido é fundamental para o desenvolvimento de vida. Abria-se uma nova perspectiva para os astrônomos: podia não haver vida inteligente, mas que tal vida microscópica? Ou ainda: e se Marte abrigou algum tipo de vida no passado? Na década de 1970, as sondas Viking 1 e 2 pousaram em solo marciano, recolheram algumas amostras, mas não conseguiram chegar a nenhuma conclusão. As esperanças dos cientistas repousam, agora, em outra missão que consiga mais uma vez pousar em Marte e recolher novas amostras para pesquisa.


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