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Deus
da guerra e da morte
A cor avermelhada e a trajetória aparentemente
"errante" foram as primeiras coisas que chamaram a atenção
dos antigos astrônomos para Marte. Os babilônios chamaram-no
Nergal, o deus da morte. Entre os gregos, era conhecido como
Ares, deus da guerra a quem os romanos chamavam Marte.
Astrônomos egípcios deram-lhe o nome de Her Descher,
que significa O Vermelho. Em 1609, Johannes Kepler já descrevia
a órbita elíptica de nosso misterioso vizinho. Pouco mais
de meio século mais tarde, Jean Dominique Cassini determinou
o período de rotação do planeta e observou a existência de
calotas polares.
Os canais de
Marte
A polêmica sobre a existência de vida
em Marte, no entanto, viria apenas no século XIX, quando Giovanni
Schiaparelli produziu alguns mapas do solo marciano com a
ajuda de um telescópio refrator. Seus mapas mostravam a existência
de estruturas lineares, interpretadas como canais. Baseado
nesses estudos, o inglês Percival Lowell supôs a existência
de valas de irrigação que levariam água dos pólos marcianos
a uma civilização concentrada na região equatorial do planeta.
A hipótese causou controvérsias e foi desmentida pouco depois,
quando cientistas afirmaram que os canais não passavam de
ilusão de ótica. Em 1907, Alfred Russel Wallace descreveu
Marte como um local inóspito, semelhante à Lua.
Primeiras missões
Mesmo com a polêmica aparentemente encerrada,
Marte continuou a despertar interesse na comunidade científica.
Em 1965, o mundo viu o primeiro retrato marciano da era espacial,
gerado pela sonda Mariner 4, e confirmou suas expectativas:
o planeta parecia inóspito. A Mariner 9, no entanto, jogou
nova lenha à fogueira: em imagens pouco nítidas, os cientistas
podiam perceber uma superfície em constante mutação pela ação
de fortes ventanias e surpresa! indícios da
existência de água corrente. E há um fato aceito por unanimidade:
água em estado líquido é fundamental para o desenvolvimento
de vida. Abria-se uma nova perspectiva para os astrônomos:
podia não haver vida inteligente, mas que tal vida microscópica?
Ou ainda: e se Marte abrigou algum tipo de vida no passado?
Na década de 1970, as sondas Viking 1 e 2 pousaram em solo
marciano, recolheram algumas amostras, mas não conseguiram
chegar a nenhuma conclusão. As esperanças dos cientistas repousam,
agora, em outra missão que consiga mais uma vez pousar em
Marte e recolher novas amostras para pesquisa.
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