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Planeta enferrujado
 
Muita coisa se sabe atualmente sobre a natureza marciana. Algumas teorias chegam a afirmar que há bilhões de anos Marte e Terra foram dois planetas bem parecidos: clima ameno e água em abundância.



Essa cratera é conhecida como Happy Face e intriga
os cientistas.
 

Para alguns cientistas, esta vala pode ser o leito seco de
um antigo rio marciano.
 

A sonda espacial Mars Global Surveyor sobrevoa Marte.
 

Marte em primeiro plano
e o Sol, ao fundo.
À esquerda, a lua Fobos.
 

Essa rocha de formato irregular é Deimos, uma das luas de Marte.
 
Essa imagem de Marte foi feita pelo telescópio Hubble.
 

Este é um dos maiores
cânions de Marte.
 
FIQUE LIGADO!
Existem indícios de que há 3,5 bilhões de anos, Marte teria, além de água, muita atividade vulcânica e uma atmosfera muito mais densa do que a atual. Seria um planeta bem parecido com a Terra, reunindo as condições necessárias para o desenvolvimento da vida.

Pousando em Marte
Chegamos a Marte. Olhamos ao redor e a paisagem parece muito diferente daquela com que estamos acostumados aqui na Terra. O céu é rosado, com poucas nuvens. O solo, empoeirado e cheio de crateras. De vez em quando imensas tempestades de vento arrastam a poeira de um lado para o outro. O tom avermelhado é resultado do ferro existente em sua superfície, que, no passado, reagiu com o pouco oxigênio da atmosfera: é como se Marte fosse coberto por ferrugem. A temperatura também não é lá essas coisas: poucas vezes ultrapassa os 20ºC. E pode chegar a –143ºC! A atmosfera é rarefeita; por isso, as radiações solares atingem a crosta marciana com maior facilidade. A composição de gases também não é muito favorável para humanos: 95% de gás carbônico, segundo algumas pesquisas. Apesar da desolação do quadro, os cientistas acreditam que existiu água em abundância no planeta e que boa parte ainda está por lá. Imagens enviadas pela sonda Mars Global Surveyor, no final do ano 2000, reforçam a teoria: centenas de camadas de sedimentos – algumas bem recentes – e fossas escavadas nas paredes de crateras indicam a ação de água corrente não só no interior do planeta, mas também em sua superfície.

Vida microscópica
Atualmente os cientistas que buscam provas da existência de vida marciana não procuram mais por seres verdes em naves espaciais. A maioria se contenta com um simples micróbio fossilizado. Algumas evidências disso já foram encontradas: no início de 2001, duas equipes de cientistas detectaram a presença de magnetita no meteorito ALH84001 – uma rocha marciana que caiu na Antártida há 13 mil anos e foi descoberta em 1984. A magnetita é formada por pequenos cristais magnéticos que, por sua pureza, forma, tamanho e orientação, provavelmente foram produzidos por um tipo especial de bactéria. Ainda não é uma prova concreta, mas já anima a Nasa a planejar uma missão tripulada para Marte daqui a 20 anos.


Viagem interplanetária
Para que esse sonho se torne realidade, a Nasa ainda precisa resolver vários problemas – entre eles, o da falta de dinheiro para uma missão de tamanho porte. Com a tecnologia atual, uma viagem até Marte levaria apenas 6 meses. No entanto, os astronautas precisariam ficar 18 meses no planeta antes de voltar: só depois desse tempo a Terra estaria próxima o suficiente para garantir o retorno em segurança. Ora, uma missão espacial de 30 meses – não se esqueça dos 6 meses da viagem de volta à Terra – requer várias providências prévias, como levar combustível e oxigênio suficientes. Outra importante questão preocupa os cientistas: a saúde dos astronautas. O que fazer se alguém ficar doente em Marte?

Impactos no corpo humano
Veja alguns problemas já detectados em viagens espaciais:
• depois da decolagem, 90% dos astronautas sofrem de enjôo por falta de orientação espacial. Isso acontece porque, ao flutuar
pela nave, ele perde o sentido de "em cima" e "em baixo" – que não existe no espaço, mas nosso cérebro está programado dessa forma –, causando vômitos e desorientação.
• sem gravidade, o fluido corporal – que, em geral, se acumula na parte inferior do corpo – migra para a região do abdome e do peito. A conseqüência disso, além de inchaço no rosto, é a diminuição da sede.
• com a falta de peso no corpo, a renovação dos tecidos orgânicos é interrompida: os músculos se atrofiam e os ossos se deterioram a uma taxa de 1% ao mês. Isso quase não é sentido em viagens curtas, mas em 30 meses pode ser fatal.
• ainda mais sérias são as prováveis conseqüências do confinamento de uma
equipe de seis ou oito pessoas, em um espaço pequeno e em situação de constante estresse. Depressão, irritabilidade e instabilidade emocional são apenas alguns dos
problemas possíveis.
Uma forma de resolver a maioria desses "complicadores" seria criar uma "gravidade artificial", como a imaginada no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Mas, por enquanto, isso ainda está no terreno da ficção científica.


Veja nesta matéria:
Vizinho misterioso
Vá para Marte pela rede

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