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PAU-BRASIL

Árvore da família das leguminosas, cujo nome científico é Caesalpinia echinata. É uma árvore alta e frondosa, possui inúmeras flores amarelas que apresentam uma das pétalas com manchas de tom vermelho, é nativa do Bioma da Mata Atlântica no Brasil. Sua madeira compacta é boa para a construção civil ou naval e também para a marcenaria fina como, por exemplo, na produção de violinos. Contém uma substância corante de tom vermelho, que recebeu o nome de brasileína, produto de oxidação da brasilina, muito usada para tingir tecidos de algodão, penas e como tinta para máquinas de escrever.

Relevo do início do século 16 mostra franceses abatendo pau-brasil para o comércio de corantes

HISTÓRIA

O pau-brasil foi a primeira fonte de exploração econômica dos portugueses e de outros europeus durante a colonização do Brasil. Havia grande quantidade dessa madeira em certos pontos do litoral brasileiro, representando cerca de 3000 km de extensão desde o Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. A substância corante que se extrai do pau-brasil era muito utilizada na indústria têxtil europeia.

Os consórcios do pau-brasil. Inicialmente a coroa portuguesa não efetivou a colonização do território brasileiro, pois seu objetivo era a obtenção de lucros rápidos com as conquistas no Oriente. A forma adotada pelo rei português Dom Manuel I foi implementar o sistema de feitorias após proposta de uma expedição organizada por Fernão de Noronha, em meados de 1502, para efetuar a exploração do pau-brasil por meio do consórcio entre as partes. O consórcio concedia aos comerciantes o monopólio de exploração do pau-brasil por três anos. Nesse período, deveriam enviar navios à colônia, explorar anualmente 300 léguas (cerca de 2 mil quilômetros) da costa e edificar feitorias. Uma porcentagem dos lucros deveria ser paga à corte.

O escambo do pau-brasil. As numerosas tribos indígenas no litoral brasileiro facilitaram a exploração do pau-brasil, que era obtido por meio de trocas (escambo). Os índios davam o pau-brasil aos portugueses e a outros europeus em troca de quinquilharias (espelhos, pentes, guizos, colares de miçangas) e de algumas ferramentas (machados, facas). Os índios abatiam árvores de até 15 m, às vezes com 1 m de diâmetro na base do tronco, cortavam-nas em toros e as desgalhavam. Em seguida transportavam o pau-brasil até as feitorias ou os navios. Esse sistema levou à destruição de boa parte das matas costeiras do Brasil.

O monopólio da Coroa. O pau-brasil era de monopólio exclusivo da Coroa; sendo assim, sua exploração só poderia ser efetuada com a permissão do rei. Entretanto, outros povos, como os franceses, não reconhecendo o Tratado de Tordesilhas como legítimo, investiram na extração do pau-brasil sem pagar nenhum tributo à Coroa portuguesa.

A exploração predatória do pau-brasil perdurou até o início do século 19, quando a madeira ainda era rentável ao tesouro português.

Glossário

Brasilina: substância incolor que possui reações químicas ao entrar em contato com soluções alcalinas e com o próprio oxigênio passando a adquirir uma cor avermelhada conhecida por brasileína.

Feitorias: agência de companhia comercial nos portos das colônias, onde se armazenavam e se negociavam mercadorias, servindo também como fortificação primitiva, provida de uns tantos soldados e armamentos, para a defesa da colônia contra a intromissão de aventureiros. (Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

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