 | | | Missa campal em comemoração à abolição da escravatura,realizada no Campo de São Cristóvão em 17 de maio de 1888. No centro da foto e no alto à direita, a princesa Isabel. |
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Filha do imperador D. Pedro II, a princesa regente Isabel governava o país pela terceira vez, pois seu pai estava doente. No dia 13 de maio, ela chegou ao Paço quase às três horas da tarde, trajando um vestido de seda de cor pérola com rendas. O povo gritava de alegria. Instantes depois, ela assinaria a lei que dava liberdade a todos os escravos do Brasil. Da sacada do Paço, senhoras jogavam flores sobre a princesa e seu marido, o conde D'Eu, que subiam as escadas para ir ao local da cerimônia, a Sala do Trono. A libertação dos escravos fez o povo sair em massa às ruas por vários dias seguidos, em todas as cidades do país e no campo. Os jornais festejaram a data e comentaram o alívio do país, que se juntava ao grupo das nações livres. Naquela época, a libertação significava para os negros o fim de um sistema de trabalho desumano em que eram tratados como coisas ou como animais de carga. Libertos, mas marginalizados
 | | | Habitação de Escravos, de João Maurício Rugendas, mostra uma casa típica de negros no século XIX. |
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Um ano e meio mais tarde, a princesa Isabel, que seria a próxima imperatriz e a primeira mulher a governar o país, perdeu o trono com a Proclamação da República, em novembro de 1889. Os presidentes republicanos nunca tomaram nenhuma medida para integrar os ex-escravos e seus descendentes à sociedade. Apesar de libertos, os negros não receberam condições de ascender socialmente e de tornarem-se cidadãos de fato. O preconceito contra eles e a escassez de oportunidades permanecem ainda hoje, quando os descendentes de africanos (negros e pardos) são, segundo o IBGE, 51,3% da população brasileira.
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