Carpideiras
Quanto mais gente, melhor. Mais prestígio, mais demonstração de amor, mais rezas, mas chances de ir para o céu. O velório e o sepultamento no Brasil, terra de muitos sincretismos, acabou juntando a emoção dos povos ibéricos, as ladainhas indígenas e um pouco dos rituais africanos. As carpideiras tiveram e ainda têm papel muito importante em muitas regiões. São elas que puxam o coro das lamentações e costumam ser remuneradas pelo trabalho.
 | | | Cortejo Fúnebre de Filho de Rei Negro, de Jean-Baptiste Debret, 1834 |
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Planejamento A partir do século 18, virou instituição no Brasil o planejamento da morte, a fim de garantir a salvação da alma, como uma boa última morada – a tumba. O costume era iniciar o velório após a preparação do morto – lavado, penteado, perfumado e vestido, às vezes, como um santo. A vigília, regada de comes e bebes, durava até um dia – tempo suficiente para evitar que se enterrasse uma pessoa ainda viva. Féretro O velório, quando as pessoas em sua maioria morriam em casa, era também feito no próprio lar, que ficava com as portas abertas para a rua. Ao final do dia, fazendo uma associação com o pôr do sol, o féretro saía com um carro paramentado – no início, puxado por burros ou cavalos também enfeitados –, seguido pelas pessoas que iam a pé.
No século 20, tudo isso foi trocado pelo cortejo de carros e, diz o ditado popular, dá azar cortar o cortejo. Quando as cidades não viviam o ritmo frenético de nossos dias, essa regra era seguida à risca. Quase tudo parava para o cortejo passar.
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