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A Vila dos Palmares

Você quer saber um pouco mais sobre como viviam os quilombolas que deixaram de viver em regime de escravidão para iniciar suas vidas no Quilombo dos Palmares? Visite a Vila dos Palmares, um pequeno vilarejo cenográfico banhado pelo Rio Mundaú, localizada em Alagoas, e que reproduz o antigo quilombo.


Zumbi dos Palmares e a Consciência Negra


A data é celebrada como feriado em 225 cidades e 11 Estados, entrando neste rol quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá e Campo Grande (conquista mais recente). O dia 20 de novembro ainda não é feriado nacional, mas está caminhando para isto. O feriado lembra a data da morte do líder negro Zumbi dos Palmares (1655-1695) considerado um herói da resistência antiescravagista no período colonial. Zumbi foi líder do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, o maior quilombo da história do Brasil, que durou mais de 60 anos e chegou a abrigar, segundo historiadores, cerca de 20 mil pessoas que fugiram do regime de escravidão.
Na maioria das vezes, nos locais onde existia escravidão havia certa resistência dos escravizados, seja por meio de fugas para os quilombos, seja por meio de negociações de espaços de autonomia com os senhores escravocratas. Alguns escravizados rebelavam-se individual ou coletivamente; dentre estas formas de resistência, a mais efetiva foi a formação de grupos e fugas em massa por busca da liberdade.

Alguns historiadores dizem que quando cinco ou mais negros se juntavam em algum terreno já era formado ali um quilombo, que tinha nomes diferentes na América espanhola (palenques, cumbes), na inglesa (maroons), na francesa (grand marronage, diferenciando-se da petit marronage, que é fuga individual, na maioria das vezes temporária). No Brasil, esses grupos são chamados principalmente de quilombos e mocambos, sendo os seus membros denominados quilombolas, calhambolas ou mocambeiros.

Em Alagoas, no quilombo Serra da Barriga, surge Zumbi dos Palmares, um dos principais líderes dos movimentos antiescravagistas no Brasil. Ele lutou pela libertação de seu povo, a fim de libertar os escravizados, os quais em sua maioria eram maltratados, humilhados e tinham suas mulheres estupradas. Devido aos estupros constantes, formou-se um núcleo forte de filhos mestiços, na maioria das vezes rejeitados, e que posteriormente acabavam sendo treinados para capturar escravos. Essas pessoas eram chamadas de 'capitães do mato'.

No ritmo de captura, massacre e longas guerras, os quilombos, ou também as re publicae, termo em latim usado nos documentos da época para identificar a 'República de Palmares', os quilombos sofreram perseguições e diversas ameaças, tendo resistido por quase um século.

Vê-se que a história da formação desses espaços ocorria em processos bem semelhantes em outros estados do Brasil, mas vendo a resistência e a força do Quilombo dos Palmares, senhores de escravos e governos de outros estados resolveram se armar fortemente para repreender os negros que fizessem menção de que iam fugir e, assim como os escravizados liderados por Ganga Zumba e Zumbi, formar esconderijos em lugares longínquos e de difícil acesso.

O 20 de Novembro é comemorado atualmente porque as convicções que Zumbi tinha para libertar seu povo ainda são seguidas, e atualmente, por mais que os tempos sejam outros e a 'abolição' tenha  acontecido, mesmo que tardia, o povo afrodescendente, quilombola ou não, relembra as trajetórias e lutas que seus antepassados travaram. Nessa data acontecem passeatas, palestras, congressos e muita reflexão a respeito dos afro-brasileiros.


Serra da Barriga

Serra da Barriga
A Serra da Barriga situa-se no município União dos Palmares, que fica a aproximadamente 100 km da capital Maceió. Trata-se de um sítio histórico onde se localizava o Quilombo dos Palmares e, supostamente, antes o mocambo do macaco. Foi reconhecida pelo governo federal como monumento histórico na década de 1980, e em 21 de março de 1988 passou a ser considerada monumento nacional.

Esta região de difícil acesso, envolta por montanhas, é um dos mais importantes exemplos de resgate da história dos afro-brasileiros, apresentando um papel fundamental na história do Brasil e dos afrodescendentes, sendo a primeira colaboradora para a reconstrução da trajetória da luta de libertação dos escravos.

Atualmente, muitos turistas visitam a Serra da Barriga para conhecer melhor a história do Quilombo dos Palmares. Há no local um posto de observação e dois mirantes. Também são realizadas comemorações, principalmente no dia 20 de novembro, dia de Zumbi, para relembrar a sua luta contra a escravidão.


Museu vivo

Com uma área de 75 m2, a Vila dos Palmares é composta de 20 mocambos (espécie de choupanas), cada um representando uma atividade da época, com culinária típica, artesanato etc.

Parque

Parque Serra da Barriga
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é o primeiro parque temático cultural afro-brasileiro do Brasil, e o único complexo arquitetônico de inspiração africana de todas as Américas. Está localizado a 500 m acima do nível do mar e tem 5 km de subida.

Idealizado e construído pelo Instituto Magna Mater (IMM) em parceria com a Fundação Cultural Palmares, foi viabilizado com recursos do Ministério do Turismo e da Petrobras, e também apoiada pela Prefeitura da União dos Palmares. Este parque temático faz menções honrosas a guerreiros e guerreiras, Ganga Zumba, Zumbi e Dandara, que lutaram a fim de conseguir a liberdade deles e dos descendentes de africanos escravizados. Alguns elementos da cultura afro-brasileira contemporânea foram incorporados como herança do século de resistência palmarina.


Palmares

A região original do Quilombo dos Palmares, próxima à Vila, virou patrimônio histórico e hoje passa por um processo de reflorestamento. Na área também foram realizadas várias escavações arqueológicas, tendo sido descobertas muitas peças de utensílios domésticos de uso dos quilombolas, como colheres de pau e potes de cerâmica.




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