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As boas novas

Em 27 de abril, Diogo Dias (um dos capitães da esquadra) e dois tripulantes visitaram uma aldeia tupiniquim, mas os indígenas não permitiram que lá pernoitassem.

Na terça-feira, 28 de abril, os portugueses cortaram lenha, lavaram suas roupas e construíram uma grande cruz. Na quarta-feira, 29 de abril, a tripulação se encarregou de esvaziar o navio que voltaria a Portugal com as notícias da descoberta.

Em 30 de abril, desembarcaram Pedro Álvares Cabral e seus capitães. Foram recepcionados por cerca de 400 tupiniquins. Na sexta-feira, 1º de maio, a tripulação deixou o navio e acompanhou o erguimento da cruz em procissão. Em 2 de maio, a esquadra levantou âncoras com destino a Calicute, nas Índias.

Diário da viagem    

Curiosidade e medo 
Aventurar-se no mar, principalmente no oceano Atlântico, exigia muita coragem. Pouco se sabia o que podia haver naquela imensidão de água. Assim, a imaginação corria solta e o desconhecido podia reservar o paraíso ou o inferno. As lendas falavam de monstros terríveis, peixes apavorantes, canibais (cujos rostos ficavam no peito), pedras que atraíam as embarcações para o fundo das águas e ares venenosos. Foram necessários muitos anos e diversas viagens ultramarinas para que as fantasias dessem lugar a informações precisas e de confiança.
Semana após semana, os dias passavam sem grandes novidades nos navios. Parte dos marinheiros tratava da limpeza e da arrumação. Também era preciso molhar o convés – o piso da embarcação – para que ficasse sempre úmido, impedindo que as madeiras rachassem sob o sol. Além disso, qualquer vazamento precisava ser consertado imediatamente. Havia ainda as velas e os cabos, que tinham de estar sempre em bom estado. A tripulação reunia-se nas refeições e nas missas, rezadas todos os dias. A água era muito racionada e a comida variava pouco: carne seca ou salgada, peixe, arroz, queijo, cebola, alho e muitos biscoitos – que emboloravam com a umidade, mas eram consumidos assim mesmo. Os homens não ligavam muito para a higiene e os navios vinham abarrotados de ratos, baratas e piolhos, contribuindo – e muito – para a proliferação das doenças. A mais grave delas era o escorbuto, causado pela falta de vitamina C, encontrada nas frutas cítricas (como o limão e a laranja) que não existiam a bordo dos navios nos séculos XV e XVI. Mas nem tudo era trabalho ou sofrimento. Apesar da proibição dos religiosos, os marinheiros também se divertiam: tocavam instrumentos musicais, cantavam, jogavam cartas e dados. 


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