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Como garantir que as crianças aprendam?

Do jeito que está, o sistema não funciona. Então, o que fazer? A melhor opção é voltar para o sistema antigo? Não é o que mostram as experiências de capacitação de professores.

O caso de Itanhaém

A queimada é uma prática que começou em 1500.
Experiências ainda isoladas mostram o óbvio: a capacitação dos profissionais da educação – não apenas professores, mas também coordenadores e diretores – é o caminho para o bom funcionamento da progressão continuada. Um claro exemplo disso é o projeto Estudar pra Valer!, desenvolvido pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), com escolas da cidade de Itanhaém. Destinado aos educadores dos quatro primeiros anos do ensino fundamental, o projeto consiste, basicamente, na formação de professores para o ensino e aprendizagem inicial da língua portuguesa. E os resultados são animadores: em apenas seis meses, o nível de estudantes não-alfabetizados passou de 39,5%
para 19,3%.


Mudanças profundas

"Mais do que capacitar, é necessário fazer um trabalho para mudar a cultura da comunidade escolar", diz a professora Maria Silvia Bonini Tararam, coordenadora da equipe Currículo e Escola do Cenpec e uma das responsáveis pelo projeto. "A progressão continuada requer uma reorientação total das práticas internas da escola". Segundo Maria Silvia, a maior dificuldade na implantação da progressão continuada é justamente ensinar o corpo docente a lidar com a heterogeneidade dos alunos, a diversidade de ritmos de aprendizagem. "Precisamos rever conteúdos, processos de trabalho e ensino, além de ter um outro olhar sobre a avaliação."


Na progressão continuada é importante reorganizar a escola.
Nova organização


Nesse sentido, o primeiro passo, em Itanhaém, foi reorganizar o tempo da escola. "Os professores, coordenadores e diretores, juntos, fizeram uma nova divisão no ritmo da escola, para atender a heterogeneidade dos alunos." Horários foram alterados, a fim de tornar possível o acompanhamento individualizado dos alunos que apresentavam dificuldades de aprendizado. Mas, mais do que isso, foi feito um trabalho de conscientização da comunidade. "Tentamos envolver os pais, explicar o sistema da progressão e, como trabalhávamos com alfabetização, mostramos a importância do envolvimento deles nesse processo", relembra Maria Silvia. Também fizeram parte os conselhos tutelares e outros movimentos da comunidade.


Benefício para os alunos

O projeto Estudar para Valer! foi desenvolvido em parceria com a rede municipal de ensino de Itanhaém e beneficiou diretamente cerca de 1.700 alunos. Maria Silvia destaca um dos pontos mais importantes do trabalho: o fato dele envolver todos os professores das escolas participantes. "É importante desenvolver uma concepção da escola como um todo. Todos os professores devem trabalhar em conjunto, a partir de uma mesma visão". Foram capacitados 61 professores e 26 técnicos.

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