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Foi a partir da ditadura militar no Brasil que se começou a chamar de "inúteis" algumas das ciências humanas, como a Filosofia. Mais tarde, com o predomínio da tecnologia, novamente as Ciências Humanas foram deixadas de lado e colocadas em oposição às ciências exatas. O que os PCNEM pretendem que o aluno volte a ter uma formação humanística, mas não desvinculada da ciência. Ele deve ser levado a entender que tudo o que acontece na sociedade tem um porquê, que os fatos não são isolados. Para tanto, as disciplinas precisam ser complementares e não excludentes. Os PCNEM de Ciências Humanas e suas Tecnologias englobam as disciplinas de História, Geografia, Sociologia, Antropologia, Política e Filosofia.
Quais são as sugestões dos Parâmetros do Ensino Médio para a área de Ciências Humanas e suas Tecnologias? A intenção é recuperar o aspecto mais humanístico desse processo que o mundo vive, de sociedades cada vez mais globalizadas, formar um aluno mais sensível às mudanças que estão ocorrendo à sua volta, deixando de lado o caráter tão exclusivista que o ser humano acabou adquirindo. Esse novo aluno representa o futuro e vai definir o novo papel do homem diante de um mundo tão tecnológico. A sugestão para cumprir essa intenção é levar o aluno a perceber que a tecnologia é útil à sociedade, mas deve servir para torná-la mais humana. Pretende-se que o estudante acompanhe - de preferência lidando com fatos atuais, buscados em jornais e revistas de informação - as mudanças pelas quais vem passando a sociedade e que todo fato político, por exemplo, não acontece isoladamente.
Por que as ciências humanas foram deixadas de lado? Num primeiro momento, as ciências humanas foram deixadas de lado quando a politização da população ficou em segundo plano, por causa da ditadura militar de 1964. Mas já depois da Segunda Guerra Mundial começou-se a separar as ciências exatas das humanas, valorizando-se mais as primeiras. O que se pretende nos PCN é que se volte a dar importância à ética, ao estudo das ciências humanas - trabalhar com uma ideia de cultura mais abrangente.
A “igualdade” entre humanas e exatas refere-se também à grade curricular? Sim. Qualquer disciplina deve ter o mesmo peso que as demais. E precisam estar integradas, não só dentro da área de humanas como com as demais matérias das outras áreas.
Como pôr em prática a interdisciplinaridade? Obviamente há necessidade de professores mais capacitados, que tenham uma visão geral sobre os assuntos. Cada disciplina pode tratar nas aulas de um tema que depois será novamente discutido entre os alunos e professores de várias disciplinas. Em História, por exemplo, pode-se analisar a questão do preconceito racial a partir do tema da escravidão. O aluno deve perceber que a abolição da escravatura assinada pela princesa Isabel não acabou com o preconceito racial. Ao contrário, o preconceito se manifesta em situações onde se considera o negro inferior ao branco. Os professores devem sempre esclarecer a relação tempo-espaço, de que, como acontece nesse exemplo, o preconceito racial não acabou quando a princesa Isabel libertou os escravos. Os educadores devem deixar claro, sempre, que todos os fatos têm implicações, são contextualizados.
Há um modo de as disciplinas convergirem? Pode-se trabalhar com grupos de alunos e professores de várias disciplinas a cada 15 dias, ou desenvolver projetos. Um tema atual seriam os 500 anos do Descobrimento do Brasil. Pode-se pensar ainda em peças teatrais que envolvam assuntos em comum ou até tarefas mais fáceis como a elaboração de mapas, integrando as disciplinas de Arte e Geografia. O que se pretende é que o aluno seja um "escritor" no sentido de poder expor suas ideias com clareza, englobando os conhecimentos de todas as áreas.
Como é o cidadão crítico que se pretende formar? Um aluno crítico é aquele que não aceita conceitos prontos, que questiona. Por exemplo: o que é liberalismo, como ele se aplica e se mostra em diferentes sociedades. O aluno precisa lidar sempre com fundamentos científicos e, por isso, mais uma vez, ressalta-se que as ciências humanas também devem ser trabalhadas como ciência. Deve-se levar o aluno, por exemplo, a perceber o que está oculto nas várias linguagens específicas, na linguagem econômica, na jurídica etc. Na área da economia, ele pode chegar a entender a economia como um fato globalizado, ou seja, o que acontece nos Estados Unidos ou na Europa, acaba influenciando no Brasil, na Argentina, no México e assim por diante; que a valorização ou desvalorização do real depende da situação do dólar. A partir de um exemplo como o da indústria farmacêutica é possível fazer uma análise de um tema atual e também globalizado: questionar os preços dos remédios, a influência das multinacionais, o que são os chamados remédios genéricos etc.
Há uma proposta diferente para a avaliação? Sim. Além de se esperarem resultados mais satisfatórios no ensino, porque o que se tem hoje é muito elitista, a ideia é que haja avaliações individuais e em grupo.
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