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Resenha - A cidade e as serras

Jacinto Fernandes, o protagonista, é filho e neto de portugueses, mas nasceu em Paris e jamais conheceu Portugal. De lá, recebe um bom  dinheiro todo mês e apenas ouviu falar da sua quinta, em Tormes, nas serras portuguesas. Sofisticado, vive nos Campos Elíseos e justifica seu interesse por livros, tecnologia e ciência porque habita Paris, o umbigo do mundo.

As expressões “que maçada!” e “que seca!”, repetidas à exaustão por Jacinto, ainda em Paris, significam “que chateação!”.
Conhece o narrador quando estudava e se tornam grandes amigos. José Fernandes, a pedido de um tio, retorna à serra de Guiães, ausentando-se por sete anos. Ao retornar, encontra um Jacinto enfastiado, que não se cansa de repetir que a vida é uma maçada, uma seca e mostra-se cansado e sem objetivos.

Em Tormes, a capela que guardava os ossos da família cai durante uma tempestade e precisa ser reconstruída; Jacinto promete a seu procurador que irá à inauguração. E assim o faz, mas fora de época, antecipadamente. Antes de partir,envia para lá os móveis, roupas e objetos de luxo, além de comida enlatada, mas esses, por um mal entendido, se desviam para a Espanha.

Ao chegar a Portugal, junto com José Fernandes,depois de uma viagem desastrada, encontra a quinta em péssimo estado de conservação e as obras mal iniciadas.

Come o alimento  da terra, descansa enquanto o narrador vai a Guiães, certo de que Jacinto partirá no dia seguinte, de volta a Paris. Engano.
O vazio interior do parisiense, em contato com a terra, o céu e a alegria de viver, se esvai e ele permanece em Portugal para sempre, recobrado de sua melancolia, distante da tecnologia que cultuava, recobrando as cores e a vontade de estar no mundo.

Encontra-se com a prima de José Fernandes, Joaninha. A mesma de quem vira um dia uma fotografia e a quem achara uma “lavradeirona” (saloia, camponesa).

Fique atento!

O título é uma analogia ao desfecho do livro: de um lado, Paris representa “as cidades”, a tecnologia, o progresso e as aparências; as “serras” representam o que há de ideal, idílico, verdadeiro e essencial para que um homem possa ser perfeitamente feliz.
Joaninha é uma espécie de Pandora, a Natureza saudável, magnífica, enraizada ao que é o campo; ela simboliza a própria ressurreição , a prodigalidade, o encanto.
Jacinto nunca mais retorna a Paris, Joaninha lhe dá filhos e um Jacinto vigoroso, saudável e, alegre, habita agora as terras de Portugal.

Confira obra na íntegra!


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