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CUBA
O país em resumo
Nome oficial: República de Cuba.
Capital: Havana.
Localização: norte da América Central, Mar do Caribe.
Nacionalidade: cubana.
Área: 110.860 km2.
População: 11,2 milhões (2001).
Densidade: 100,97 hab./km2.
Língua oficial: espanhol.
Composição étnica: descendentes de espanhóis, negros e mulatos.
Religião: maioria cristã.
GOVERNO
Sistema de governo
: república socialista.
Presidente: Fidel Castro Ruz (desde 1976, reeleito em 1981, 1986, 1993 e 1998).
Legislativo: unicameral. Assembleia Nacional do Poder Popular, com 601 membros eleitos por voto direto para um mandato de cinco anos.
Partido: Partido Comunista Cubano (PCC).
ECONOMIA
Agropecuária
: cana-de-açúcar, tabaco, banana, café, frutas cítricas, arroz, legumes e verduras.
Mineração: níquel, cromita, ferro, manganês, barro vermelho e pedra calcária.
Indústria: açúcar refinado, charutos e cigarros, cimento, fertilizantes, rum, tecidos, tijolos e telhas.
Exportação: níquel, açúcar refinado, rum, tabaco, charutos e cigarros.
Moeda: peso cubano.
Mapa

Único país comunista das Américas, é formado por uma grande ilha e por mais de 1.600 ilhotas que fazem parte das Grandes Antilhas, situadas entre o Mar do Caribe e o Golfo do México, a apenas 170 km dos Estados Unidos. Havana é a capital e a maior cidade.

Grande parte da ilha é plana; apenas um quarto do território é coberto por montanhas e colinas. O litoral tem enseadas profundas, praias arenosas e recifes de coral. O clima é ameno em praticamente todo o ano, mas furacões costumam sempre atingir a ilha. A cana-de-açúcar é o principal produto do país.

Em 1958, um grupo de revolucionários liderados por Fidel Castro depôs o ditador Fulgencio Batista e estabeleceu um regime socialista. Milhares de cubanos deixaram o país após a revolução. Em 1960, foi criado o Partido Unido da Revolução Socialista, substituído em 1965 pelo Partido Comunista Cubano (PCC), que permanece como único partido do país. Com a suspensão da ajuda da União Soviética (URSS), dissolvida em 1991, a economia cubana entrou em crise, agravada pelo embargo comercial imposto pelos EUA. O governo passou, então, a investir no turismo e criar zonas francas, abrindo o país a empresas estrangeiras.

Vista da baía de Havana, capital de Cuba. Cidade atrai turistas de todo o mundo.

HISTÓRIA

Primórdios. Antes de ser avistada e batizada por Cristóvão Colombo em 1492, Cuba era habitada por tribos indígenas. Em 1511, chegaram os primeiros colonizadores espanhóis e logo a ilha se tornou uma das mais prósperas colônias das Antilhas, com a produção de açúcar e tabaco. A população indígena nativa foi sendo dizimada pelo trabalho forçado e pelas doenças trazidas pelos europeus.

De meados do séc. XVI até o final do séc. XVIII, foi lento o desenvolvimento de Cuba. O litoral era frequentemente atacado por piratas e muitos colonos se mudaram para a América do Sul.

No final do séc. XVIII, Cuba prosperou outra vez. O porto de Havana já era a base da frota espanhola no Novo Mundo e a cidade tornou-se um centro comercial. A produção de açúcar e de tabaco aumentou e Cuba passou a exportar seus produtos às colônias britânicas da América do Norte.

Luta contra a Espanha. Durante o séc. XIX, vários grupos de cubanos planejaram revoltas contra o domínio espanhol, como o de José María de Heredia, em 1821. Em meados do século, alguns cubanos e norte-americanos apoiaram o movimento de anexação de Cuba pelos EUA. Os norte-americanos fizeram várias ofertas para comprar Cuba, mas a Espanha se recusou a vendê-la.

Em 1868, o fazendeiro Carlos de Céspedes liderou o movimento revolucionário que exigia a independência do país e a abolição da escravatura. A Espanha rejeitou as exigências e assim eclodiu uma revolução conhecida como Guerra dos Dez Anos, que terminou com a assinatura do Pacto de Zanjón, em 1878. O acordo prometia reformas políticas e a abolição gradual da escravatura, extinta definitivamente em 1886. Vários revolucionários não aceitaram o acordo do governo e nove anos depois, em 24 de fevereiro de 1895, participaram da revolução liderada por José Martí. Milhares de cubanos morreram. Em 1898, os revolucionários controlavam a maior parte das cidades cubanas. A Espanha dominava apenas algumas cidades litorâneas.

Em fevereiro de 1898, o navio de guerra norte-americano Maine, enviado a Havana para proteger os norte-americanos que lá estavam, explodiu misteriosamente. Os EUA atribuíram a explosão às forças espanholas e declararam guerra à Espanha, que se rendeu em agosto. No Tratado de Paris, assinado em dezembro desse ano, a Espanha entregou aos EUA territórios seus no Caribe (Cuba e Porto Rico) e no Pacífico (Filipinas e Guam). Cuba ficou sob um governo militar norte-americano.

Governo dos EUA. Durante a ocupação dos EUA, o general Leonard Wood deu início a um programa de obras públicas. Porém, continuava forte a pressão do povo cubano pela independência. Em 1901, foi aprovada uma Constituição, à qual os norte-americanos anexaram a Emenda Platt, restringindo a independência de Cuba e permitindo aos EUA interferirem em seus negócios. Um tratado de 1903 deu aos EUA o direito de uso das bases militares de Baía Funda e Guantánamo.

Em 1902, Cuba conquistou a independência e o povo elegeu Tomás Estrada Palma seu primeiro presidente. As tropas norte-americanas deixaram o país, mas voltaram a intervir na crise política de 1906, contra o governo de Palma. Tomou posse um governo norte-americano civil-militar (1906-1909), dirigido por Charles E. Magoon.

Após esse período, os governos cubanos seguintes fizeram pouco pelas classes mais pobres e reprimiram violentamente as revoltas populares. Tanto nos levantes de negros, em 1912, como nos dos trabalhadores das usinas de açúcar, em 1917, os EUA enviaram tropas para proteger seus negócios no país.

Che Guevara (à esquerda) e Fidel Castro durante a Revolução Cubana.

A Era de Batista. Em julho de 1933, uma revolta armada forçou o ditador Gerardo Machado a renunciar. Logo depois, o sargento Fulgencio Batista organizou um golpe. Apoiado pelos EUA, Batista governou como ditador por intermédio de presidentes que eram chefes do governo apenas na aparência. Em 1934, EUA e Cuba assinaram um tratado cancelando a Emenda Platt, exceto a cessão da Baía de Guantánamo.

Em 1940, outra Constituição entrou em vigor e os cubanos elegeram Batista presidente. O segundo governo democrático pós-Batista, de Carlos Prío Socarrás, foi deposto em 1952 por novo golpe do próprio Batista, que se tornou ditador mais uma vez. Ele promoveu o desenvolvimento da indústria leve, incentivou a entrada do capital estrangeiro no país, ignorou o estado de pobreza e o analfabetismo do povo e reprimiu com violência os opositores.

Mercado Central, um dos principais pontos de comércio da cidade de Havana.

Revolução Cubana. Em 26 de julho de 1953, o advogado Fidel Castro e seus companheiros tentaram derrubar Batista, atacando o Quartel de La Moncada, em Santiago de Cuba, mas foram presos. Quando Castro saiu da prisão, em 1955, foi para o México, onde organizou o Movimento de 26 de Julho. Em dezembro de 1956, o grupo tentou, sem sucesso, derrubar o governo. Castro e 11 homens refugiaram-se na Serra Maestra, onde o grupo guerrilheiro aumentou em número.

As tentativas do governo para sufocar o movimento revolucionário fizeram aumentar o apoio do povo aos rebeldes. Em 31 de dezembro de 1959, Batista fugiu do país e as forças de Castro tomaram o governo no dia seguinte. Castro tornou-se primeiro-ministro e Manuel Urrutia foi nomeado presidente.

Relações com os EUA. A princípio, os EUA apoiaram o novo governo. Em 1959 e 1960, Cuba nacionalizou as indústrias de açúcar, as fazendas de gado, as refinarias de petróleo e todas as companhias norte-americanas do país. A relação entre os dois países deteriorou-se. No mesmo período, os cubanos contrários ao novo regime ou acusados de colaborar com Batista foram julgados sumariamente e levados ao paredón – condenados à morte por fuzilamento. Milhares de cubanos contrários a Castro deixaram o país, a maioria deles em direção aos EUA. As nações ocidentais, pressionadas pelos EUA, dificultaram o comércio com Cuba, que pediu ajuda econômica e militar à URSS. Os EUA deixaram de comprar açúcar cubano e, em janeiro de 1961, romperam relações diplomáticas com Cuba.

Em abril, exilados cubanos organizados nos EUA invadiram a Baía dos Porcos, no litoral sul de Cuba, sob a promessa norte-americana de apoio militar direto para garantir o sucesso. O golpe fracassou e quase todos os exilados foram mortos ou presos. Mais tarde, os sobreviventes anticastristas foram libertados em troca de suprimentos não-militares.

Em 1962, os EUA decretaram o embargo econômico e político a Cuba, que foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA). No mesmo ano, os norte-americanos descobriram que os soviéticos estavam montando bases de mísseis em território cubano e ordenaram o bloqueio naval de Cuba, o que obrigou a URSS a desmontar os mísseis.

O Palácio da Revolução (com imagem de Che Guevara), em Havana, é sede do governo.

História Recente. Fidel Castro forneceu ajuda militar a grupos guerrilheiros que atuavam na América Latina, como o de seu antigo companheiro de revolução Ernesto Che Guevara, morto na Bolívia. Nenhum deles teve sucesso. Mais tarde, enviaria tropas e conselheiros militares a Angola e à Etiópia.

Depois que a OEA suspendeu o veto a Cuba, em 1975, vários países latino-americanos reataram relações com o país. Em fevereiro de 1976, os cubanos foram às urnas para aprovar a nova Constituição, que entrou em vigor no final desse ano e criou a Assembleia Nacional do Poder Popular, legislativa, e um Conselho de Estado, do qual Castro se tornou presidente.

No início dos anos 1980, a economia cubana entrou em decadência, principalmente em razão da queda do fornecimento de petróleo da URSS. Em 1991, os EUA intensificaram o embargo a Cuba, agravando mais ainda a situação interna. A crise aumentou com o fim da URSS. O governo cubano foi obrigado a adotar medidas de reaproximação com os países capitalistas, permitindo a entrada do capital estrangeiro no país. As medidas adotadas por Fidel, como isenção de impostos, atraíram investidores de todo o mundo e mudaram a imagem de Cuba.

Em 1998, em sua primeira visita a Cuba, o Papa João Paulo II pediu liberdade política, condenou o embargo dos EUA e elogiou os avanços sociais cubanos – apenas nove mortes em mil nascimentos e 3,6% de analfabetismo (dados de 2000). Fidel libertou 300 presos políticos e os EUA voltaram a permitir os voos entre Miami e Havana. Em 2000, o Congresso norte-americano aprovou uma lei para permitir a venda de alimentos e remédios a Cuba e a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o embargo norte-americano.

Apesar da melhora no relacionamento de Cuba com diversas nações, a Comissão de Direitos Humanos da ONU condenou o país por violação dos direitos humanos em abril de 2001.

Brás Cubas, um dos pioneiros da colonização.

ARTES

O governo cubano patrocina balés, peças teatrais e outras atividades culturais, que são oferecidas gratuitamente ao povo. A Casa das Américas, editora estatal, faz anualmente um concurso literário com participação de representantes de todos os países da América Latina.

As obras de vários importantes escritores cubanos atacaram a injustiça política e social. Dentre eles, destacam-se, no séc. XIX, José Martí e Rafael Mendive; e no séc. XX, o poeta Nicolás Guillén, o romancista Alejo Carpentier e o ensaísta Fernando Ortiz. Outros expoentes literários são o poeta Herberto Padilla e o romancista Edmundo Desnoes.

Entre os escultores mais conhecidos, incluem-se Teodoro Ramos Blanco e Juan José Sicre. Os pintores tornaram-se conhecidos pelas paisagens e retratos da vida cotidiana, destacando-se Wilfredo Lam e Cundo Bermúdez. Na música, sobressaem no séc. XX José Ardévol e Alejandro García Caturla.

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